quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ela disse adeus!

Ela disse adeus!
Você foi embora, deixando talvez menos do que uma centena de corações partidos.
Em sua visita à Terra não fez revoluções ou destacou-se entre uma multidão. Após sua morte a economia mundial não desacelerou, o país não ficou de luto, não houve pontos facultativos ou feriados nacionais, e o mundo não se tornou um lugar melhor, nem pior. Tampouco ficou “mais vazio.”
E nada do que possa ser dito conseguirá apagar a grandeza da pessoa com o coração mais bondoso e amável com quem eu tive o privilégio de conviver.
Azar do mundo, que não teve a oportunidade de te conhecer porque sempre se esquece que por trás de uma pessoa há uma história, talvez até mais fascinante do que a de muitos ídolos da sociedade.
As saudades não irão faltar, o silêncio cortante que agora se instala na casa não me deixa mentir, mas isso o tempo há de curar.
Espero um dia poder reencontrar corações tão bondosos quanto o seu, corações que fazem acreditar que por detrás desse mundo ainda existam pessoas integras e confiáveis escondidas em algum lugar, como você.

Fellipe Sousa

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Aos palhaços, o circo.

Chego em casa, as luzes estão apagadas, por uma porta entreaberta passa um feixe de luz, me aproximo vagarosamente, ouço um burburinho, risadas. Finalmente chego à porta, vejo que o fraco caminho de luz vem da televisão, as risadas exageradas me fazem, por um instante, pensar que há uma comédia na programação, como aquelas que tanto figuram aos sábados à noite. Porém, para meu espanto - e desespero -, não se tratava de um show de humor, mas sim de propaganda eleitoral gratuita.

No dia seguinte o assunto não poderia ser outro, dezenas, milhares de pessoas, em todos os lugares gesticulavam e repetiam as frases dos mais exóticos candidatos, porém nenhuma delas estava realmente brava, na verdade se divertiam, e continuavam as imitações como se contassem uma boa piada para descontrair a tensão do dia-a-dia.

Nesse instante percebi que minha primeira impressão, que por descuido tive na noite anterior, estava na completamente certa! Era sim um show de humor, e dos bons, daqueles que satirizam o público e ainda assim conquistam sua simpatia.

Mais alguns dias se passaram e enfim, compreendi o que estava ocorrendo. Durante a semana havia sido alegado que humoristas não poderiam fazer piadas sobre políticos, aí estava a resposta: Os candidatos os proibiram porque não queriam concorrência em seu show de humor, que tinha como prêmio uma vaga em um grande circo chamado Brasília.

Fellipe Sousa

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Regresso

Em tempos Festivos é comum esperar que os textos produzidos nesses períodos tenham caráter temático. Porém após um ano de blog e um longo recesso não volto a este espaço para falar sobre copa do mundo, pão e circo ou política, mas sim fazer algumas análises sobre o blog.

O Recesso na publicação de textos foi causado por uma enorme falta de motivação em relação aos comentários que vinha recebendo sobre os textos. Trata-se de críticas negativas pensaria o sagaz leitor, porém é justamente o oposto. Não quero um blog que me traga apenas elogios e sim, um que gere reflexão aos leitores. Atento ao texto o sagaz leitor se depararia com a seguinte pergunta “- Ele realmente está reclamando por ser elogiado?” A resposta é sim, um estranho ceticismo crescente no plano de minhas ideias me faz duvidar da veracidade de tais elogios, posto que é conhecido que as alianças humanas são efêmeras, ao menos em minha jornada de vida sempre foi assim onde frases e homenagens muitas vezes fantasiosas falando sobre amizades sem fim jorraram aos montes, e quase nenhuma delas durou tempo que fosse grande o suficiente para que se mantivesse um mínimo de contato vez por outra.

Com acontecimentos assim meu senso crítico foi aguçado ao máximo, talvez até demasiadamente ao ponto de ter me feito duvidar com tanta veemência de singelos elogios, que sempre me trarão pensar se sinceros ou não.

Fellipe Sousa

terça-feira, 6 de abril de 2010

Uma sociedade Neofeudal

É um mundo horripilante em que a sociedade baseia-se no individualismo onde enclaves fortificados são cada vez mais intensos por cobrirem deficiências do estado oferecendo segurança, qualidade de vida, lazer, saúde e educação mesmo condomínio sem a necessidade de arriscar a própria vida nas ruas da cidade. A funcionalidade estatal será questionada e o poder fatalmente será descentralizado e repartido entre empresas que promoverão cada vez mais o consumismo, enquanto a economia gira a desigualdade aumenta, a classe dos mais pobres une-se formando favelas cada vez maiores e mais fechadas sem saneamento algum e assim um apartheid social é criado onde o símbolo máximo da segregação social são os muros e portarias de condomínios um isolamento com barreiras que resultaria em uma sociedade neofeudal.
Com a individualização apoiada pelo consumismo as conversas de elevador são o único contato entre vizinhos, o numero de suicídios da nova nobreza é cada vez maior enquanto a plebe morre por fome ou doenças que poderiam ser evitadas com medidas profiláticas, os que ainda não morreram revoltam-se quebrando partes dos muros e invadindo os enclaves, um confronto sangrento se inicia e no final quando a classe dos pobres é quase toda dizimada questionamentos do tipo “Como deixamos isto acontecer?” ou “Até onde o ser humano é capaz de ir por seus interesses egoístas?” Uma nova onde de paz será comercializada porém, descendentes da classe pobre quase toda destruída no conflito farão constantes ataques terroristas em busca de justiça e então humanidade se deparará com a seguinte incógnita, tentar semear a paz fazendo uma inclusão social e formar novas monarquias nacionais ou então se autodestruir em um conflito sem fim. Analisando friamente pelo o que conheço dos humanos ainda não tenho certeza sobre qual será a escolha.

Fellipe Sousa

sábado, 27 de março de 2010

Celebrai

Como será meu futuro? O que acontecerá nos próximos vinte anos? E se eu fracassar na vida o que acontece? Creio que muitos de nós já nos deparamos com indagações muito semelhantes a estas em algum momento de nossa vida, e que geralmente ocorrem em tempos de insegurança em relação a onde nossas escolhas podem nos levar e o quanto podem influenciar nosso futuro.
O grande problema é que às vezes perdemos tempo planejando um futuro muito longínquo, quase impalpável e assim sofremos antecipadamente e esquecemos que tudo ainda esta preso ao plano das ideias e distante da realidade. Às vezes nos achamos os donos do mundo, esquecemos que temos apenas uma vida curta e em mares de soberba chegamos a acreditar que podemos controlar o sempre desconhecido futuro.
Aprender a valorizar a vida não é tarefa fácil, quantas pessoas não conhecemos que precisam passar por provações, perder entes queridos, ou até mesmo quase perder a própria vida para reconhecerem a beleza de simplesmente viver, a vida é um dom maravilhoso, um milagre biológico e não podemos deixá-la passar desapercebida em meio a nossas ganâncias, ganhar o mundo não basta quando não se tem a verdadeira felicidade, nenhum dinheiro pode pagar a alegria de saber viver o hoje, há um antigo ditado que diz “Ontem é história,amanhã é mistério,e hoje é uma dádiva.Por isso se chama presente.” Os melhores dias de sua vida estão passando nesse exato momento, portanto pare com todas as preocupações desnecessárias e faça da sua vida uma celebração diária, essa sim é a chave para a verdadeira felicidade.

Fellipe Sousa

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Poder da Autoridade

Qual seria melhor, ser temido ou respeitado? Seria de mais pedir os dois?
Esta dúvida vem me assombrando já há algum tempo mas, para respondê-la é preciso antes entender a diferença entre poder e autoridade. Comecemos então pelo primeiro.

*Poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém, por causa da sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer.

*Autoridade é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal.
Outra forma de compreendermos isso é pensarmos que o poder pode ser dado a uma pessoa já a autoridade não, pois esta diz respeito ao seu caráter.

Muitas vezes nos tornamos temidos pelo uso de nosso poder que geralmente sobe a nossa cabeça e nos faz perder nossa essência humana. O poder em si não é mal, mais a falta de preparo de quem o rege sim, o poder corrói relacionamentos, não há nenhum governo ditatorial que consiga sobreviver eternamente, já a autoridade na maioria das vezes funciona melhor, e o exemplo mais claro que consigo pensar é Jesus Cristo negando-se a usar seus poderes para salvar-se de uma cruz, Ele negou o poder e por seu caráter, sua autoridade, ainda consegue influenciar mais de dois bilhões de pessoas a pouco mais que dois mil anos após seu nascimento, outros exemplos nítidos são Martin Luther King, Madre Tereza de Calcutá e Mahatma Gandhi preferirem adotar a autoridade para influenciar pessoas e mudar o mundo, às vezes chego a pensar que o não uso do poder pode ser a forma mais poderosa (e mais trabalhosa) de se conseguir algo considerado impossível.

Adolf Hitler abusou de seus poderes e até hoje também é lembrado, porém como uma das mentes mais diabólicas de toda a história. Chego então a concluir que a resposta da minha questão inicial é sim, realmente acredito que seria demais pedir para ser temido e respeitado ao mesmo tempo pois, são coisas distintas em sua natureza, pessoas temidas têm finais trágicos,sempre solitários. Pessoas respeitadas são sempre muito queridas, muito mais amadas porque aprenderam a grandeza de saber viver que é a grandeza de servir ao próximo.

Fellipe Sousa

*trechos retirados do livro O Monge e o Executivo Uma História Sobre a Essência da Liderança – Autor: James C. Hunter – Editora: Sextante

domingo, 27 de dezembro de 2009

Morte

Eu não sei por que pessoas morrem, e não tenho pretensão alguma de saber o porquê, eu apenas sei que é isso o que acontece com todas elas. E quando acontece sentimos uma grande dor, nem sempre por imaginarmos para onde essas pessoas estão indo, mas, sim por que sentiremos muita falta delas, o fato é que as pessoas morrem todos os dias e para nós a vida continua naturalmente como se nada tivesse acontecido. A vida me fez uma pessoa um pouco fria pelas perdas que tive em minha recente jornada, apenas vivo sabendo que nada é para sempre e mesmo assim continuo a sofrer com a morte das pessoas, porém, com esse tipo de pensamento acabo me adaptando rapidamente a viver sem a pessoa que já se foi.
Pessoas não gostam de falar sobre a morte, não gostam por medo de algo o qual nunca vivenciaram. A morte é algo que faz parte da vida porque a vida é esquisita mesmo, afinal, a gente mal nasce e começa a morrer e morremos a cada dia, minuto e segundo que se passa, eu vejo a morte como algo positivo a eternidade me parece algo muito chato no qual conseguiríamos fazer tudo e depois de fazer tudo não teríamos mais nada para fazer, a morte é como um ponto final em um texto que precisa de um fim para não ficar maçante, é o toque final que faz vidas virarem lendas e mártires é algo super natural e que não devemos temer mas, apenas aprender com ela.

Fellipe Sousa