quinta-feira, 15 de julho de 2010

Regresso

Em tempos Festivos é comum esperar que os textos produzidos nesses períodos tenham caráter temático. Porém após um ano de blog e um longo recesso não volto a este espaço para falar sobre copa do mundo, pão e circo ou política, mas sim fazer algumas análises sobre o blog.

O Recesso na publicação de textos foi causado por uma enorme falta de motivação em relação aos comentários que vinha recebendo sobre os textos. Trata-se de críticas negativas pensaria o sagaz leitor, porém é justamente o oposto. Não quero um blog que me traga apenas elogios e sim, um que gere reflexão aos leitores. Atento ao texto o sagaz leitor se depararia com a seguinte pergunta “- Ele realmente está reclamando por ser elogiado?” A resposta é sim, um estranho ceticismo crescente no plano de minhas ideias me faz duvidar da veracidade de tais elogios, posto que é conhecido que as alianças humanas são efêmeras, ao menos em minha jornada de vida sempre foi assim onde frases e homenagens muitas vezes fantasiosas falando sobre amizades sem fim jorraram aos montes, e quase nenhuma delas durou tempo que fosse grande o suficiente para que se mantivesse um mínimo de contato vez por outra.

Com acontecimentos assim meu senso crítico foi aguçado ao máximo, talvez até demasiadamente ao ponto de ter me feito duvidar com tanta veemência de singelos elogios, que sempre me trarão pensar se sinceros ou não.

Fellipe Sousa

terça-feira, 6 de abril de 2010

Uma sociedade Neofeudal

É um mundo horripilante em que a sociedade baseia-se no individualismo onde enclaves fortificados são cada vez mais intensos por cobrirem deficiências do estado oferecendo segurança, qualidade de vida, lazer, saúde e educação mesmo condomínio sem a necessidade de arriscar a própria vida nas ruas da cidade. A funcionalidade estatal será questionada e o poder fatalmente será descentralizado e repartido entre empresas que promoverão cada vez mais o consumismo, enquanto a economia gira a desigualdade aumenta, a classe dos mais pobres une-se formando favelas cada vez maiores e mais fechadas sem saneamento algum e assim um apartheid social é criado onde o símbolo máximo da segregação social são os muros e portarias de condomínios um isolamento com barreiras que resultaria em uma sociedade neofeudal.
Com a individualização apoiada pelo consumismo as conversas de elevador são o único contato entre vizinhos, o numero de suicídios da nova nobreza é cada vez maior enquanto a plebe morre por fome ou doenças que poderiam ser evitadas com medidas profiláticas, os que ainda não morreram revoltam-se quebrando partes dos muros e invadindo os enclaves, um confronto sangrento se inicia e no final quando a classe dos pobres é quase toda dizimada questionamentos do tipo “Como deixamos isto acontecer?” ou “Até onde o ser humano é capaz de ir por seus interesses egoístas?” Uma nova onde de paz será comercializada porém, descendentes da classe pobre quase toda destruída no conflito farão constantes ataques terroristas em busca de justiça e então humanidade se deparará com a seguinte incógnita, tentar semear a paz fazendo uma inclusão social e formar novas monarquias nacionais ou então se autodestruir em um conflito sem fim. Analisando friamente pelo o que conheço dos humanos ainda não tenho certeza sobre qual será a escolha.

Fellipe Sousa

sábado, 27 de março de 2010

Celebrai

Como será meu futuro? O que acontecerá nos próximos vinte anos? E se eu fracassar na vida o que acontece? Creio que muitos de nós já nos deparamos com indagações muito semelhantes a estas em algum momento de nossa vida, e que geralmente ocorrem em tempos de insegurança em relação a onde nossas escolhas podem nos levar e o quanto podem influenciar nosso futuro.
O grande problema é que às vezes perdemos tempo planejando um futuro muito longínquo, quase impalpável e assim sofremos antecipadamente e esquecemos que tudo ainda esta preso ao plano das ideias e distante da realidade. Às vezes nos achamos os donos do mundo, esquecemos que temos apenas uma vida curta e em mares de soberba chegamos a acreditar que podemos controlar o sempre desconhecido futuro.
Aprender a valorizar a vida não é tarefa fácil, quantas pessoas não conhecemos que precisam passar por provações, perder entes queridos, ou até mesmo quase perder a própria vida para reconhecerem a beleza de simplesmente viver, a vida é um dom maravilhoso, um milagre biológico e não podemos deixá-la passar desapercebida em meio a nossas ganâncias, ganhar o mundo não basta quando não se tem a verdadeira felicidade, nenhum dinheiro pode pagar a alegria de saber viver o hoje, há um antigo ditado que diz “Ontem é história,amanhã é mistério,e hoje é uma dádiva.Por isso se chama presente.” Os melhores dias de sua vida estão passando nesse exato momento, portanto pare com todas as preocupações desnecessárias e faça da sua vida uma celebração diária, essa sim é a chave para a verdadeira felicidade.

Fellipe Sousa

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Poder da Autoridade

Qual seria melhor, ser temido ou respeitado? Seria de mais pedir os dois?
Esta dúvida vem me assombrando já há algum tempo mas, para respondê-la é preciso antes entender a diferença entre poder e autoridade. Comecemos então pelo primeiro.

*Poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém, por causa da sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer.

*Autoridade é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal.
Outra forma de compreendermos isso é pensarmos que o poder pode ser dado a uma pessoa já a autoridade não, pois esta diz respeito ao seu caráter.

Muitas vezes nos tornamos temidos pelo uso de nosso poder que geralmente sobe a nossa cabeça e nos faz perder nossa essência humana. O poder em si não é mal, mais a falta de preparo de quem o rege sim, o poder corrói relacionamentos, não há nenhum governo ditatorial que consiga sobreviver eternamente, já a autoridade na maioria das vezes funciona melhor, e o exemplo mais claro que consigo pensar é Jesus Cristo negando-se a usar seus poderes para salvar-se de uma cruz, Ele negou o poder e por seu caráter, sua autoridade, ainda consegue influenciar mais de dois bilhões de pessoas a pouco mais que dois mil anos após seu nascimento, outros exemplos nítidos são Martin Luther King, Madre Tereza de Calcutá e Mahatma Gandhi preferirem adotar a autoridade para influenciar pessoas e mudar o mundo, às vezes chego a pensar que o não uso do poder pode ser a forma mais poderosa (e mais trabalhosa) de se conseguir algo considerado impossível.

Adolf Hitler abusou de seus poderes e até hoje também é lembrado, porém como uma das mentes mais diabólicas de toda a história. Chego então a concluir que a resposta da minha questão inicial é sim, realmente acredito que seria demais pedir para ser temido e respeitado ao mesmo tempo pois, são coisas distintas em sua natureza, pessoas temidas têm finais trágicos,sempre solitários. Pessoas respeitadas são sempre muito queridas, muito mais amadas porque aprenderam a grandeza de saber viver que é a grandeza de servir ao próximo.

Fellipe Sousa

*trechos retirados do livro O Monge e o Executivo Uma História Sobre a Essência da Liderança – Autor: James C. Hunter – Editora: Sextante

domingo, 27 de dezembro de 2009

Morte

Eu não sei por que pessoas morrem, e não tenho pretensão alguma de saber o porquê, eu apenas sei que é isso o que acontece com todas elas. E quando acontece sentimos uma grande dor, nem sempre por imaginarmos para onde essas pessoas estão indo, mas, sim por que sentiremos muita falta delas, o fato é que as pessoas morrem todos os dias e para nós a vida continua naturalmente como se nada tivesse acontecido. A vida me fez uma pessoa um pouco fria pelas perdas que tive em minha recente jornada, apenas vivo sabendo que nada é para sempre e mesmo assim continuo a sofrer com a morte das pessoas, porém, com esse tipo de pensamento acabo me adaptando rapidamente a viver sem a pessoa que já se foi.
Pessoas não gostam de falar sobre a morte, não gostam por medo de algo o qual nunca vivenciaram. A morte é algo que faz parte da vida porque a vida é esquisita mesmo, afinal, a gente mal nasce e começa a morrer e morremos a cada dia, minuto e segundo que se passa, eu vejo a morte como algo positivo a eternidade me parece algo muito chato no qual conseguiríamos fazer tudo e depois de fazer tudo não teríamos mais nada para fazer, a morte é como um ponto final em um texto que precisa de um fim para não ficar maçante, é o toque final que faz vidas virarem lendas e mártires é algo super natural e que não devemos temer mas, apenas aprender com ela.

Fellipe Sousa

sábado, 14 de novembro de 2009

O Cristianismo das Igrejas e Cristo

Dolorosamente sinto-me cada vez mais enojado pelo grande circo evangélico que abrange este país, e que a passos largos cresce. É duro ver pastores lidando com vidas sofridas vendendo prosperidade se prostrados os fiéis os adorarem.
Recuso-me a acreditar em um deus que está sempre a me culpar e que me abençoa apenas quando o dinheiro do dizimo cai na conta da igreja, enquanto isso povos morrem de fome, malária e AIDS.
Em cima dos púlpitos a hipocrisia predomina, o discurso de salvação para uma vida dolorosa, fábulas de que todos os problemas da vida são culpa do diabo e promessas vazias de cura, com a intenção de fazer da fé um grande comércio, tiram a credibilidade das igrejas neopentecostais, ainda mais quando na liturgia da algumas dessas aparecem atos que geram repulsa, como um pastor "transbordando unção" usar sua sudorese para "curar" enfermidades, ou então doutrinas excessivamente rígidas que proíbem até o pensamento, deixando claro que as reais intenções dessas "seitas religiosas" são um povo alienado para que consigam arrancar-lhes até o último centavo.
Obviamente que programas na TV onde esses religiosos mostram 15 minutos de um de seus sermões e pedem dinheiro para passarem os outros 30 minutos, ou então marchar para um mega show com o punho em riste gritando “- Cristo, Cristo!” Para mudar a imagem “negativa” que os lideres tem passado e para mostrarem o quanto são “descolados” não me parece a melhor solução.
Aliás, a solução seria acabar de vez com toda essa demagogia e seguir o legado de Cristo, que consiste em amar ao próximo, relacionar-se, levar uma vida justa e fazer o bem. E tudo isso sem que lhe estorves a cabeça a ideia de um deus ridículo que fica a espera de um erro seu para jogar em sua cara o quanto é superior, pois, Cristo é amor, compreensão e compaixão, amizade e cumplicidade. É o referencial de benignidade, portanto viva sem medo de errar ou pecar pois o pecado não interfere em nada a rotina de Deus e se isso ainda lhe preocupa, digo-lhe que seus pecados já foram pagos em uma cruz, você é livre para escolher o que quiser sem que sinta-se forçado a escolher algo porque pensa que vive em meio ao fogo cruzado entre Deus e o Diabo.
Seguir ou não a Cristo não fará com que ele goste mais ou menos de você, muito menos lhe garantirá uma vaga no céu, a proposta de segui-lo significa viver bem, e isso não implica que você terá vantagens no seu dia a dia por seguir um Deus. Este “viver bem” significa viver em cima dos valores éticos e morais empregados nesta causa, isto sim fará sua vida melhor e possibilitará que você faça o seu céu aqui, e mesmo que isso seja totalmente contrário ao que a maioria das igrejas prega, não me importo, pois para mim isto é Cristo, é a beleza de ter um Deus que desce ao mesmo patamar que eu para poder relacionar-se comigo, e quando fazemos igualmente isso deixamos Deus habitar em nós, assim nos tornamos a sua imagem e semelhança e também um pedacinho dEle.

Fellipe Sousa

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Direito ao Palavão

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos.

É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a “vulgarização” do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito,sua índole.

“Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “Pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via- Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “Nem fodendo!”. O “Não, não e
não!” e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade “Não, absolutamente não! “o substituem. O “Nem fodendo” é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo “Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um “é PhD porra nenhuma!”, ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!”. O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos “aspone”, “chepone”, “repone” e, mais recentemente, o “prepone” - presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos.

Pense na sonoridade de um “Puta-que-pariu!”, ou seu correlato “Puta-que-o- pariu!”, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba… Diante de uma notícia irritante qualquer um “puta-que-o-pariu!” dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cú!”? E sua maravilhosa e reforçadora derivação “vai tomar no olho do seu cú!”.Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando,passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no olho do seu cú!”. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face,olhar firme,cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu!”. E sua derivação mais avassaladora ainda: “Fodeu de vez!”. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? “Fodeu de vez!”.

Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se!”? O “foda-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. “Não quer sair comigo? Então foda-se!”. “Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!”. O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!. Grosseiro, mas profundo…

Pois se a lingua é viva, inculta, bela e mal-criada, nem o Prof. Pasquale explicaria melhor. “Nem fodendo…”

Luis Fernando Verissimo